top of page

Especialista em IA?

  • Foto do escritor: Daniel Lança Perdigão
    Daniel Lança Perdigão
  • 30 de jul.
  • 2 min de leitura

É curioso observar a velocidade a que florescem os «especialistas» em Inteligência Artificial.


Nada como uma boa moda, uma oportunidade de negócio e alguma falta de critério para fazer nascer novas especialidades quase todos os dias.


Hoje encontrei uma designação especialmente criativa: «Especialista e Coach em IA».

OK! Temos formação em coaching, aprendemos a fazer alguns prompts, conhecemos três ou quatro produtos e, pronto, já podemos ser «coaches em IA».


Também é interessante analisar os percursos de alguns destes novos especialistas. Ontem estavam no imobiliário, num departamento financeiro, num call center, na psicologia, no marketing, no LinkedIn, na produtividade ou em qualquer outra área que tenha estado na moda nos últimos anos. Hoje, são especialistas em IA.


Aparentemente, bastou aprender a escrever alguns prompts, utilizar o ChatGPT, experimentar o Gemini e o Claude e conhecer mais duas ou três ferramentas com nomes apelativos. Está feita a especialização.


Mas há uma pergunta que continuo a fazer: como pode alguém apresentar-se como especialista em Inteligência Artificial sem compreender razoavelmente os sistemas informáticos, sem conhecimentos de programação, sem experiência em projetos tecnológicos complexos e, em muitos casos, sem qualquer contacto relevante com IA antes de novembro de 2022?


A minha carreira foi sempre construída nas tecnologias de informação. Passei pela programação, análise de sistemas, consultoria, vendas, gestão, liderança e direção de empresas. Trabalhei com organizações de praticamente todos os setores económicos e desenvolvi, ainda nos anos 80, um projeto com aquilo a que hoje poderíamos chamar os primórdios da Inteligência Artificial.


Mesmo assim, não me apresento como «especialista em IA», talvez porque, quanto mais se conhece uma área, maior é a consciência daquilo que ainda não se sabe.


Aliás, ser especialista pode nem sequer ser a melhor qualificação para ajudar pessoas e organizações a utilizar Inteligência Artificial.

Segundo uma definição comum, um especialista é alguém que possui conhecimento aprofundado, estudo ou prática numa única área específica de uma ciência, arte ou profissão.


Ora, se alguém domina apenas uma área específica, ou pior, apenas algumas ferramentas de Inteligência Artificial Generativa, como poderá compreender verdadeiramente os processos de negócio, as culturas organizacionais ou as estratégias empresariais? Ou compreender as diferentes funções profissionais, as necessidades das pessoas, os riscos, as resistências à mudança e os desafios particulares de cada setor?


Ajudar uma organização a adotar IA não é ensinar meia dúzia de prompts, fazer uma demonstração impressionante ou apresentar cinquenta ferramentas em sessenta minutos. Exige compreender tecnologia, pessoas, processos, estratégia, negócio, cultura, ética e mudança, sabendo ainda relacionar todas estas dimensões.


Talvez alguns destes novos especialistas não sejam realmente especialistas em IA. Poderão ser utilizadores um pouco mais avançados, bons comunicadores ou excelentes profissionais de autopromoção, o que é perfeitamente legítimo.


O problema começa quando a embalagem promete muito mais, ou algo muito diferente do que o conteúdo consegue entregar.


Aprendeu Inteligência Artificial Generativa e quer ajudar outras pessoas a aprender? Excelente. Pode ser formador, facilitador, consultor, divulgador ou utilizador avançado.


Agora, «Especialista em Inteligência Artificial»?


Nah!


Daniel Lança Perdigão

AI Advocate & Experience Designer

 
 
 

Comentários


InnovationXperience

© 2011-2026 UpSideUp®, UpSquare® e UpStore®  são marcas e iniciativas UpSideUp.pt     |    SITE EM PERMANENTE ATUALIZAÇÃO

bottom of page