• Daniel Lança Perdigão

17 anos a estudar?

Muitos de nós passaram 17 anos a estudar e no fim descobriram que muito daquilo que aprenderam, entretanto desactualizou! E se quisemos vingar profissionalmente tivemos que continuar a estudar por nossa conta!

Isto já era u

Quem é que passa horas e dias a ler numa biblioteca para chegar a algo que alguém tinha escrito muito antes? Virtualmente ninguém, pois se alguém o faz deve ser pelo mero prazer de folhear livros antigos e empoeirados. Hoje abre-se o computador, ou o tablet ou o telefone, e antes de se ter tempo de espirrar já se obteve o essencial da informação que se precisa.

Posto isto – e muito mais que se poderia dizer sobre a mudança de velocidade a que as coisas acontecem – é fácil perceber que as matérias lecionadas, em qualquer nível do percurso académico dos jovens de hoje, perde atualidade rapidamente – e não me refiro ao longo de 17 ou mais anos, mas sim ao longo de cada ano letivo!

Embora os meios ao dispor dos estudantes sejam muito melhores, mais atraentes e sofisticados do que há 20 ou 30 anos atrás, a verdade é que a forma como os programas são desenhados, os suportes ao estudo e os próprios professores não conseguem acompanhar a referida velocidade da mudança.

Acredito que todos (pelo menos alguns) se esforcem para o fazer… mas é impossível!

Quando é que o Ensino se adapta à realidade, em vez de ser a Realidade a ter que se adaptar ao ensino? E não falo apenas no caso de Portugal – que está tão avançado ou atrasado como a maioria. Quando?

Quando é que se interioriza que a a Revolução Industrial já aconteceu há uns anos? Que o trabalho hoje em dia não se resume a executar ou gerir? Que há muitas áreas que devem ser aprendidas e reaprendidas ao longo do percurso escolar? E quem é que me garante que tem que haver um percurso escolar e que este, a ser necessário, tem que ter o formato sequencial que tem hoje em dia? Quem é que pode pensar, planear e ter influência para transformar?

Se hoje em dia utilizamos meios sofisticados e tecnologias inovadoras em quase tudo, se há já quem se preocupe com o Design Thinking, o Service Design, a Digital Transformation e a User Experience (em todos os seus sentidos), para criar ou transformar produtos, serviços e processos que sirvam melhor as PESSOAS, porque é que não se criam grupos de trabalho de especialistas em ensino (professores e outros educadores, alunos e pais, estudantes com sucesso e com insucesso escolar, auxiliares de ação educativa, pessoas inadaptadas, hiper-ativos, deficientes visuais, motores ou auditivos e tantos outros), orquestrados por facilitadores especializados em metodologias geradoras de empatia e que procuram resultados em função das pessoas? Porque não?

17 anos a estudar? Será essa a receita? Ou não?…

Daniel Lança Perdigão, Visual Improvement Agent, UpSideUp.pt

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