A IA e o futuro das organizações: quem se adapta primeiro, ganha duas vezes
- Daniel Lança Perdigão

- 5 de jan.
- 4 min de leitura

Imagem criada por Daniel Perdigão, com ChatGPT
Em 2022, na UpSideUp, aconteceu-nos uma coisa simples, mas desconfortável: percebemos que a IA iria substituir alguns dos nossos serviços “de sempre”.
Não porque fosse fazer melhor. Não é esse o ponto.
Ia substituir porque faz mais depressa e mais barato.
E aqui entra a bifurcação típica: a estrada da lamúria e a estrada da reinvenção.
Podíamos ter reagido como tantas empresas reagem quando sentem o chão a mexer: “ai que chatice… vem aí a IA… as pessoas vão ficar sem emprego… isto vai destruir o meu negócio…”. E depois, claro, continuar a repetir isso em loop, até ao dia em que o futuro chega e confirma o pior cenário (porque ninguém mexeu uma palha para o evitar).
Mas não!
Fizemos o que fazemos todos os anos, quando o mercado muda: adaptámos a nossa oferta. Não com euforia ingénua, nem com medo paralisante. Com pragmatismo. Com cabeça. Com vontade de continuar úteis aos nossos clientes.
A pergunta que nos guiou foi esta: como usamos a IA a favor da nossa empresa e dos nossos serviços?
A mudança não é um evento. É uma série de ondas.
Há uma ilusão perigosa que vejo por aí: a ideia de que “a IA já passou”, como se fosse uma moda de 2023.
A IA não passou. A IA é uma sucessão de ondas.
Em 2022/23, a IA generativa mexeu com texto, ideias, sínteses, rascunhos, pesquisa assistida.
Em 2024, as empresas começaram a perceber que isto não era “um brinquedo para o marketing”.
Em 2025, muita gente levou com a onda multimodal (texto + imagem + áudio + vídeo + ficheiros + contexto), e aí sim… alguns serviços que “estavam seguros” começaram a sentir o calor.
E isto interessa porque as organizações funcionam, muitas vezes, com um modelo mental antigo: “se não me afetou até agora, então não me vai afetar”.
Vai afetar. Podes ter a certeza.
A pergunta certa já não é “se”. É “quando”, e com que impacto.
O risco real não é a IA. É a inércia.
Eu sei, falar de IA assusta. Porque mexe com competências, funções, equipas, fornecedores, margens, modelos de negócio.
Mas vou dizer isto com toda a clareza: o problema é raramente a tecnologia. O problema é a organização continuar a operar como se nada tivesse mudado.
Quando uma ferramenta permite entregar +60% do trabalho em 10% do tempo, dois cenários acontecem:
Ou a empresa redesenha processos e sobe de nível (qualidade, valor, diferenciação);
Ou alguém de fora o faz por ela, e rouba-lhe o espaço.
E sim: isto também toca no tema do emprego. Porém, a conversa útil não é “vamos ficar todos sem trabalho”. A conversa útil é esta:
Que trabalho vai deixar de fazer sentido e que trabalho novo passa a ser estratégico?
O que fazer, na prática (sem ilusões e sem magia)
Há três movimentos que considero inevitáveis para qualquer organização minimamente lúcida.
1) Rever a estratégia, não simplesmente “adotar ferramentas”
Comprar licenças e fazer workshops é fácil. Difícil é responder a perguntas como:
que serviços ou produtos vão ser “comoditizados” nos próximos 12–24 meses?
onde está o nosso verdadeiro valor, aquele que a IA não copia?
que partes do nosso trabalho são repetição disfarçada de conhecimento especializado?
É aqui que entra o que fazemos com o Clarity Spring® by UpSideUp: uma análise cuidada, sem romantismos, para perceber o que manter, o que matar, o que transformar e o que criar. Estratégia não é uma apresentação bonita. É um conjunto de escolhas difíceis.
2) Tomar decisões que mexem no desenho do negócio
Depois da clareza, vem a parte que muita gente evita: decidir.
que serviços deixam de ser vendidos como antes?
que novos formatos surgem (produto, pacote, assinatura, serviço híbrido, etc.)?
que competências têm de ser desenvolvidas, e quais são dispensáveis?
Isto não se resolve com uma reunião. Resolve-se com método, cenários, priorização, prototipagem e coragem. É o foco do nosso serviço Decision Lab® by UpSideUp: transformar clareza em decisões e decisões em soluções.
3) Criar novas soluções com IA “invisível” e impacto bem visível
A IA é, cada vez mais, uma infraestrutura. Tal como o Excel foi. Tal como o email foi. Tal como a internet foi.
O nosso cliente (e o vosso) não quer “IA”. O cliente quer:
mais rapidez
menos erros
melhor resposta
melhor experiência
mais consistência
melhores decisões
A IA entra onde tiver de entrar. Mas o valor percebido tem de estar do lado do resultado.
A minha provocação final (com carinho, mas direta)
Se és líder, gestor, diretor, empreendedor… e continuas a tratar a IA como “um tema para explorar quando houver tempo”, deixo-te um aviso simples: o tempo não vai aparecer.
O mercado não espera. A concorrência não pede licença. E a tecnologia não abranda para não magoar suscetibilidades.
A boa notícia? Há uma oportunidade enorme para quem se mexe cedo. Duas, na verdade:
proteger o que tens
criar o que ainda não existe
Se queres fazer isto com clareza e sem teatrinhos, fala connosco. Podemos começar por um diagnóstico sério com o Clarity Spring®, e seguir para decisões e desenho de soluções no Decision Lab®.
A IA não vai decidir o futuro das organizações.
Quem decide é quem se adapta. Antes.
Daniel Lança Perdigão



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