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Projetos criam valor e a GenAI acelera quem já o sabe.

  • Foto do escritor: Daniel Lança Perdigão
    Daniel Lança Perdigão
  • 1 de jan.
  • 2 min de leitura

A corrida à GenAI está lançada. Pilotos, provas de conceito, ferramentas espalhadas pela organização, apresentações entusiasmadas ao conselho de administração. E, passado algum tempo, surge a pergunta inevitável: por que é que isto ainda não se reflete no P&L?


A resposta é desconfortável, mas simples: o problema não é a GenAI. É a forma como a empresa é gerida.


Imagem criada pelo autor com apoio de GenAI.


A maioria das organizações continua a ser gerida como um conjunto de operações, processos estáveis, silos funcionais, planeamento anual, foco obsessivo na eficiência. Esse modelo foi extraordinariamente eficaz num mundo previsível. Não é o mundo em que vivemos hoje.


Hoje, o valor é criado por projetos: iniciativas temporárias, multidisciplinares, orientadas a resultados claros e a impacto mensurável. Transformação digital, novos produtos, novos modelos de negócio, melhoria estrutural, e tudo isto acontece por meio de projetos, não de operações.


Quando se tenta “aplicar” GenAI a uma organização pensada para operações, o resultado é previsível: automatiza tarefas, acelera processos… mas muda raramente o jogo. A GenAI cria melhorias marginais, não se torna um motor de criação de valor.


Há uma razão estrutural para isto. A GenAI não é estratégia. É um amplificador. Amplifica o que já existe. Se a organização estiver desenhada para maximizar eficiência local, a GenAI fará exatamente isso. Se estiver desenhada para criar valor por meio de projetos bem escolhidos, então, e só então, a GenAI começa a fazer diferença.


A evidência é clara: a GenAI cria mais impacto quando aplicada de forma diferente consoante o tipo de trabalho. Trabalho explícito e repetitivo pode ser automatizado. Aquele que é ambíguo beneficia de apoio à decisão, com humanos no loop. E o trabalho criativo ganha com a GenAI como catalisador. Mas quase todo o trabalho relevante acontece através de projetos, não em funções isoladas.


Imagem criada pelo autor com apoio de GenAI.


O erro mais comum é usar a GenAI para otimizar atividades que nunca deveriam ter existido: relatórios que ninguém lê, processos criados para controlar em vez de decidir, iniciativas sem dono claro, nem objetivo de valor. A GenAI torna tudo isso mais rápido... e mais inútil.


Uma organização orientada a projetos funciona de forma diferente. Tem um portfólio claro de iniciativas estratégicas. Reavalia prioridades continuamente. Move pessoas e recursos para onde o impacto é maior. Mata projetos que não entregam valor. Mede sucesso pelo valor criado, não pelo cumprimento do plano original.


Neste contexto, a pergunta muda radicalmente. Deixa de ser “onde podemos usar GenAI?” e passa a ser “que projetos merecem GenAI porque criam mais valor?”. É uma pergunta de liderança, não de tecnologia.


Isso exige uma mudança profunda no papel dos líderes: menos gestores de orçamento e mais decisores de portfólio. É preciso reduzir o controlo à distância e fazer mais escolhas claras. Menos dashboards e mais decisões.


A GenAI só por si não vai transformar a sua empresa. Mas pode amplificar uma transformação que já esteja em curso. Se a sua organização continuar a ser gerida como um conjunto de operações, a GenAI será somente mais uma ferramenta interessante. Se for gerida por projetos, pode tornar-se uma vantagem competitiva real.


A escolha não é tecnológica.

É organizacional.


Daniel Lança Perdigão

AI Advocate & UpSideUp Partner


 
 
 

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